O novo presidente da Medial, Emílio Carazzai, disse ontem ao Valor que a empresa mantém sua posição de compradora e possui em caixa R$ 250 milhões para novas aquisições#. Os principais alvos são os planos de saúde com rede própria de atendimento e hospitais, aprofundando o modelo já adotado pela Medial. Atualmente, a operadora tem 11 hospitais, 52 centros médicos e 49 laboratórios.
Carazzai aposta em novas aquisições por acreditar que muitos planos de saúde, principalmente os pequenos, não conseguirão cumprir medida da Agência Nacional da Saúde (ANS) que obriga todas as operadoras de saúde a recompor suas provisões financeiras nos próximos seis anos.
"Acredito que haverá uma nova onda de consolidação na saúde, em que as empresas regionais vão se fundir e depois os 'players' nacionais comprarão essas empresas", disse Carazzai, que assumiu o comando da Medial no lugar de Luiz Kaufmann.
"Pela nova regra da ANS as operadoras de saúde vão precisar provisionar o equivalente a 20% da contra-prestação de serviços dos últimos 12 meses ou 33% do total de sinistros dos últimos três anos. Muitas empresas vão ter dificuldades", explica Paulo Hirai, diretor-superintendente da Milliman, consultoria americana da área de saúde.
Sobre possibilidades de novas aquisições no setor de saúde, a Medial tem sido citada no mercado como alvo de aquisição por parte da carioca Amil, que vem promovendo grandes esforços para ter maior presença em São Paulo, praça em que a Medial é forte. Carazzai nega que haja qualquer tipo de negociação entre as duas empresas. "Não minto. Omito descaradamente quando há informações sigilosas. Nesse caso posso dizer que não há nenhum tipo de conversa entre Medial e Amil. A Medial não está à venda", afirmou Carazzai.
Com passagens pela Caixa Econômica Federal (CEF), banco Pine, Abril e Bompreço, o executivo chegou à Medial, há pouco mais de um mês, com o desafio de levantar o preço dos papéis da empresa na bolsa. Desde a abertura de capital, em setembro de 2006, as ações da Medial acumulam queda de 40,3%. "Depois da crise de hipotecas nos Estados Unidos, todas as empresas de saúde sofreram perdas. Mas esse é um setor que trabalha com um produto de alta necessidade e resistente às baixas da economia", disse. "Com o IPO, fizemos grandes investimentos e estamos na fase de gerar retorno sobre uma base de capital maior", disse o executivo.(BK) |